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Por que é tão difícil falar sobre o que sentimos?

  • Foto do escritor: Psicóloga Juliana Cerqueira
    Psicóloga Juliana Cerqueira
  • 20 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 25 de mar.


mulher andando com um buquê

A escritora Bell Hooks lembra, em “Tudo sobre o amor”, que o amor envolve cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento. Mas conhecer o outro também exige algo que nem sempre aprendemos: reconhecer e falar sobre o que sentimos.

É relativamente comum conseguir falar sobre trabalho, rotina ou problemas práticos. A dificuldade geralmente aparece quando é preciso expressar emoções ou falar sobre sentimentos mais profundos, que às vezes nem a própria pessoa que sente consegue entender bem. A sensação é de que existe algo sendo sentido, mas as palavras simplesmente não aparecem.

Por que às vezes sentimos algo, mas não conseguimos colocar em palavras?

Isso acontece porque sentir e nomear o que sentimos são processos diferentes. A emoção pode surgir primeiro como um incômodo no corpo, uma inquietação, uma tristeza ou uma irritação difícil de explicar. Antes de se transformar em palavras, ela muitas vezes aparece como sensação, silêncio ou confusão interna.

Não nascemos sabendo a falar sobre o que sentimos, é algo que aprendemos. Mas nem sempre crescemos em ambientes onde expressar emoções ou falar sobre sentimentos era algo incentivado. Em muitas histórias de vida, sentimentos foram minimizados, ignorados ou tratados como exagero. Com o tempo, algumas pessoas aprendem a guardar o que sentem, a evitar conversas difíceis ou a tentar lidar sozinhas com aquilo que acontece dentro delas.

Essa dificuldade não significa que a pessoa sente menos. Com frequência, acontece justamente o contrário: existe um mundo emocional intenso, mas pouca familiaridade em entrar em contato com esse mundo interno e com as palavras necessárias para expressá-lo.

A psicoterapia pode oferecer um espaço acolhedor e sem julgamentos, onde a pessoa se sente em segurança para que esse contato se torne possível, respeitando seu próprio ritmo. Aos poucos, começa a compreender de onde suas emoções vêm e encontra apoio para colocá-las em palavras.

Ao longo do processo terapêutico, muitas pessoas também desenvolvem mais autoconhecimento emocional e passam a encontrar formas mais seguras de expressar sentimentos. Isso acontece porque vão se fortalecendo e construindo uma relação mais próxima consigo mesmo.

Esse movimento abre a possibilidade de viver relações mais conscientes, de se compreender mais e de construir uma relação mais respeitosa e cuidadosa consigo mesmo.

Fez sentido para você? Se quiser falar mais sobre isso, me mande uma mensagem.



 
 
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